Índia não tem Câncer Ginecológico?

ÍNDIA NÃO TEM CÂNCER GINECOLÓGICO?

(Ver Levantamento Realizado nas Reservas Indígenas do Sul do Brasil, Kaigang, Guarani e Xokleng)

Cláudio Paciornik

Moysés Paciornik

 

Centro de Pesquisas Médica de Curitiba – 1973

LOCAL: Reserva de Xanxerê – Santa Catarina

Grupo aculturado: 150 mulheres Caigangues vivendo às margens do Rio Xanxerê, com hábitos de vida – etilistas sociais tabagistas.

Alimentação: agricultura e caça.

Regime: paternalista; examinadas por imposição na primeira vez e espontânea na segunda vez.

 

IDADE:

116 mulheres com menos de 40 anos

41 mulheres com mais de 40 anos

De 15 a 20 anos: 19

De 20 a 25 anos: 40

De 25 a 30 anos: 17

De 30 a 35 anos: 15

De 35 a 40 anos: 25

De 40 a 45 anos: 13

De 45 a 50 anos: 11

De 50 a 55 anos: 4

De 55 a 60 anos: 6

Com mais de 60 anos: 7

 

AS CITOLOGIAS:

2 casos classe III (40 e 45 anos) uma delas biópsia positiva.

2 casos classe IV (48 e 75 anos).

1 caso classe V (42 anos).

4 casos positivos em 159 – percentual 2,5%.

 

A)  Risco por Idade:

- 116 mulheres examinadas 15-40 anos: positivos 0

- 24 mulheres examinadas 40-50 anos: positivos 3 – percentual 12,5%

- 10 mulheres examinadas 50-60 anos: positivos 0

- 7 mulheres examinadas + 60 anos: positivos I – percentual 14,3%

B)  Risco por gestações:

- 4 pacientes sem filhos com 0 casos positivos.

- 97 pacientes até 6 filhos com 0 casos positivos.

- 58 mulheres com mais de 6 filhos com 4 casos positivos – 6,8%.

C)  Risco em Relação à Menarca:

26 em branco, sendo 2 positivos (15 anos e 12 aos).

Sem conclusão quanto ao risco.

D)  Risco em Relação à Primeira Relação Sexual:

- 17 mulheres relatam entre 10 e 15 anos

12 anos – positivo I – 6%

- 114 mulheres relatam entre 15 e 20 anos

2 positivos (20 e 18 anos) – 2%

- 18 mulheres relatam entre 20 e 25 anos

I positivo (22 anos) – 6%

- I mulher examinada entre 25 e 30 anos: nenhum caso positivo.

- 9 brancos: nenhum caso positivo.

Coincide com o casamento e tem como sequência a primeira gravidez.

E)  Em Relação à Menopausa:

20 mulheres examinadas menopausadas: 2 casos positivos – 10%.

139 mulheres com menstruação regular: 2 casos positivos – 1,4%.

Isto associa-se com a idade, se bem que uma (+) tinha 42 anos e estava menopausada.

Todas as positivas tinham mais de 40 anos de idade e mais de 6 gestações com ausência de lesão macroscópica, levando-nos a pensar em um equilíbrio doença-doente, imunitário.

Não evidenciamos nódulos no exame clínico de mama, sendo que as mulheres examinadas amamentavam.

Em relação à primeira relação, menarca, não há correlação com risco.

Em comparação com dados estatísticos, a incidência de câncer de colo uterino é dez vezes maior e o da mama menor.

A)

B)

C)

D)

40 anos IV

42 anos V

48 anos IV

75 anos IV

6 gestações

Menarca 1-5 anos

Vagina e útero atróficos

Um – 23 anos

2 filhos mortos

1° relação 15 anos

Colo sp

Colo sp

Menopausa um ano

11 partos

6 filhos

8 gestações

1º relação 20 anos

8 filhos vivos

1° relação 12 anos

Filho vivo

Bebe e fuma

Bebe – VHS 92

Fuma

1° relação 18 anos

VHS 17

Colo sp

VHS 53

Estado geral: fraca

Apesar da primorosa organização desse congresso, houve um lapso na impressão do título deste trabalho, talvez devido à crença generalizada de que índia não tem câncer devido seu habitat. Falta um ponto de interrogação.

ÍNDIA NÃO TEM CÂNCER GINECOLÓGICO?

No decurso do trabalho de prevenção de câncer, realizado em Santa Catarina, na reserva de Xanxerê, tivemos oportunidade de examinar 159 senhoras Caingangues.

Vivem nas imediações do Rio Chapecozinho, dedicando-se à agricultura habitando desde ocas a casas de madeira, aceitas desde que tivessem pelo menos uma peça de chão batido.

Tomam cachaça aos sábados e pitam fumo de corda. Foram examinadas em duas etapas.

Se o primeiro grupo, composto de 70 mulheres, compareceu devido à persuasão do chefe da reserva, já o segundo grupo ocorreu espontaneamente.

Encontramos 4 casos positivos, assim distribuídos:

- 2 classe III – uma delas biópsia positivo.

- 2 casos classe IV

- 1 caso classe V

Dividimos o risco de câncer em relação à idade, número de gestações, menarca, primeira relação sexual, que coincidia com o casamento e consequentemente gestação, e menopausa.

 

IDADE:

- 116 tinham menos de 40 anos – casos positivos 0

- 24 tinham entre 40-50 anos – casos positivos 3

- 7 tinham mais de 60 anos – 1 caso positivo

- 10 tinham entre 50-60 anos – casos positivos 0

 

GESTAÇÕES:

4 sem filhos com 0 casos positivos.

Um parêntese: 3 estavam grávidas e a quarta com menos de 25 anos, dando um índice de esterilidade baixo, quase que podemos dizer o.

97 mulheres até 4 gestações com ausência de casos + 58 mulheres com mais de 6 gestações estando neste grupo os 4 casos positivos.

 

MENOPAUSA:

20 mulheres examinadas eram menopausadas; neste grupo encontramos 2 casos positivos.

139 mulheres com menstruação regular ou grávidas, sendo 1 caso positivo nas que menstruavam regularmente.

Nos outros dois itens, primeiro ato sexual, que variou (12, 18, 20, 22) e menarca (12 e 15 anos), não evidenciamos correlação nítida. Todas as pacientes apresentavam tricomoníase.

Tomamos a ousadia de transportar esses números para percentuais.

 

RISCO DE CÂNCER EM RELAÇÃO À IDADE:

Mulheres com menos de 40 anos 0%

Mulheres de 40 a 50 anos 12,5%

Mulheres de 50 a 60 anos 0%

Mulheres com mais de 60 anos 14,3%

Ou seja, mulheres com mais de 40 anos 9,1%

 

RISCO DE CÂNCER EM RELAÇÃO AO NÚMERO DE GESTAÇÕES:

Menos de 6 gestações 0%

Mais de 6 gestações 6,8%

 

RISCO DE CÂNCER EM RELAÇÃO À MENOPAUSA:

Menopausadas 10%

Outras 1,4%

Note que 36% da população examinada tinha mais de 6 filhos e 35% mais de 40 anos, e 50% da população de mais de 40 anos é menopausada.

RISCO DE CÂNCER NA POPULAÇÃO EM GERAL: 2,5%

Comparando com os dados obtidos no município de Xanxerê, grupo civilizado em que também, pela primeira vez, se fez uma campanha de prevenção, a incidência do colo uterino é duas vezes e meia maior e em relação ao material do centro de Curitiba dez vezes maior.

Quanto à mama, nos exames clínicos realizados não encontramos nódulos.

Finalizando, concluímos que a afirmativa de que a índia não tem câncer ginecológico é falsa. Apenas nunca receberam a devida atenção a isso.