CAPÍTULOS DO LIVRO

Cesariana como Parto do Futuro

  • Posted on: 24 October 2018
  • By: claudio

Dos índios já descrevemos.

Na mistura com os negros, o parto passou por um processo em que entraram as rezas, as simpatias, os benzimentos.

No interior, sua posição original foi mantida, de cócoras e em banquinhos baixos, com o auxílio da parteira, que em geral fazia também as simpatias.

Nas cerâmicas do Nordeste há registros de partos em bancos baixos que são usados em alguns lugares até hoje. Nas cidades, o parto também era e é feito por parteiras práticas. E muitos obstetras brasileiros renomados nasceram em casa nas mãos dessas mulheres.

Os partos eram hospitalares quando havia intercorrências graves.

Até a década de 1960 havia escola para parteiras práticas.

O parto hospitalar assume a primazia após a revolução de 1964, quando os serviços de atendimento domiciliar são extintos, os institutos de assistência médica são unificados e o parto passa à responsabilidade exclusiva do médico.

Fixa-se um valor três vezes maior para o parto de cesariana. A anestesia para o parto não é paga. Dentro da academia médica, alguns se referem à cesariana como o parto do futuro. O índice de cesariana sobe, passando a ser o maior do planeta. Incidência diretamente proporcional ao nível socioeconômico da gestante atendida. 

Prevalência de Partos por Cesárea 

Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde

Brasil 1986 - 1996

Região

1986

1996

Rio de Janeiro

43,2

43,3

São Paulo

43,2

52,1

Sul

29,3

44,6

Centro-Oeste

34,4

41

Nordeste

18,6

20,4

Norte

-

25,2

De acordo com uma investigação realizada pelo CLAP/OPAS/OMS, em 11 países sul-americanos e em 160 maternidades, incluindo o Brasil, concluiu-se que o nascimento por cesáreas apresenta maior mortalidade materna (até 12 vezes mais); maior morbidade materna (7 a 20 vezes); o dobro da permanência hospitalar e da convalescença; alterações psicoafetivas; transtornos respiratórios neonatais e prematuridade iatrogênica.No diagnóstico da saúde perinatal feito em Curitiba, em 1995, 98% dos partos foram hospitalares. Destes, 51,4% dos partos foram cesáreas, sendo que alguns serviços apresentaram 73%.

Em um estudo realizado em hospitais de 14 países, em 1980, o Brasil apresentou a mais alta taxa de cesárea (32%), enquanto os Estados Unidos apresentaram a taxa de 19%. Somente em 2 países foram encontradas taxas inferiores a 10% de cesáreas: Japão e Checoslováquia (7% em cada país). A maioria dos países (Dinamarca, Espanha, Grécia, Inglaterra, Escócia e Nova Zelândia) apresentou taxas entre 10% e 13%, (Nozton, 1990). 

 Sistema de Nascidos Vivos

Percentual de Cesarianas com relação a algumas características da mãe

Brasil 1995

Idade Materna

Instrução Materna

Idade Gestacional

Peso ao Nascer

Anos

%

Formação

%

Semanas

%

Gramas

%

9-14

30,8

Nenhuma

16,7

<21

24,4

<900

21,5

15-19

12

1º incomp.

31,2

22-27

21,6

1000-1499

36,6

20-29

40,7

1º completo

41,6

28-36

34

1500-2499

38,8

30-39

39,2

2º completo

59,6

37-41

37,7

2500-3999

40,8

40-49

26,3

Superior

75,2

+ 42

30,7

+ 4000

46,1

Fonte: SINASC/MS, UNICEF Brasil.

Mortalidade Infantil por Regiões

Brasil 1980 - 1990 - 1996

Regiões

1980

1990

1996

Variação 80-90

Variação 90-96

Brasil

85,6

47,8

37,5

-44,1%

-21,5%

Norte

83,6

44,6

36,1

-46,6%

-19,5%

Nordeste

120,5

74,3

60,4

-38,3%

-19,1%

Sudeste

61

31,2

25,9

-48,8%

-6,9%

Sul

55,5

27,6

22,9

-50,2%

-17%

C. Oeste

66,4

31,2

25,8

-53%

-22,8%

Fonte: Sistema de Informação de Mortalidade/MS. Cálculo de Celso Simões (IBGE)Coeficientes de mortalidade por 1000 nascidos vivos

Mortalidade Infantil Causas Selecionadas

Brasil 1985 - 1990 - 1995

COEFICIENTE

1985

1990

1991

1992

1993

1994

1995

% Variação  85/90

% Variação  90/95

Mortalidade Infantil *

66,6

47,8

45,2

43

41,1

39,6

38,4

-31,8

-19,6

CMI por diarreia

12,6

6,6

5,3

5,1

48,8

4,4

3,7

-

-43,9

CMI por IRA

8,3

6,9

5,5

5,6

5,5

5,2

4,7

-57,2

-31,8

CMI por afecções perinatais

26,9

20,9

22,3

20,3

19,3

19,2

19,4

-5,6

-7,1

 * Coeficiente de mortalidade por 1000 nascidos vivos

Fonte: Sistema de Informação de Mortalidade/MS. Cálculo de Celso Simões (IBGE)Coeficientes de mortalidade por 1000 nascidos vivos

 

Mortalidade Perinatal e Neonatal no Brasil

 Documento Elaborado por:

Ana Goretti Kalume Maranhão – Ministério da Saúde do Brasil

Marinice M. Coutinho Joaquim – Ministério da Saúde do Brasil

Carolina Siu – UNICEF Brasil

 

Colaboradores:

Paulo Kalume – Ministério da Saúde do Brasil

Oscar Castilho – UNICEF Nova Iorque

Maria do Carmo Leal – FFIOCRUZ / Ministério da Saúde do Brasil